enquanto isso, a esposa o aguardava na locadora com alguns gêneros na mão e muitas dúvidas sobre a opinião do marido a respeito de suas escolhas.
uma revoada de borboletas amarelas perturbava a leitura de francisquinho. homem baixo, bojudo, de uma vozinha fina quase cômica. na verdade, seu jornal aberto na página de classificados servia só como alegoria para que pudesse ficar naquele banco, olhando as vitrines com aquelas manequins perfeitas de lindas.
alguns minutos depois e todas as borboletas já estavam mortas no chão, elas têm uma durabilidade baixa, ainda mais numa cidade poluída como a que francisquinho morava. era uma antiga zona industrial que ainda não tinha se adaptado às normas ambientais.
francisquinho sentiu um vento diferente batendo em seu rosto, respirou fundo e caiu como um pão velho no chão, estralando todas as borboletas crocantes que já nem eram mais amarelas.
sua esposa o aguardou na locadora com os gêneros na mão, até 14 de fevereiro de 1997.